Novo desdobramento

Venda de fazenda avaliada em R$ 300 mi envolve suposta invasão pelo DNIT

Imóvel alienado por R$ 2,6 milhões durante inventário judicial volta ao centro de controvérsia
Por Assessoria 28/01/2026 - 13:53
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Divulgação
Faixa denuncia invasão da terra cuja proprietária tem 79 anos na BR 316
Faixa denuncia invasão da terra cuja proprietária tem 79 anos na BR 316

A controvérsia em torno da venda da Fazenda Vale do Catolé, em Alagoas, ganhou um novo e delicado capítulo nesta semana. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 300 milhões e vendido por apenas R$ 2,6 milhões com autorização judicial, voltou ao centro do debate após a entrada não autorizada de pessoas ligadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em área pertencente ao espólio da família proprietária.



Localizada às margens da BR-316 e considerada estratégica pelo elevado potencial imobiliário, a fazenda foi alienada no curso de um inventário que se arrasta há aproximadamente 25 anos. Segundo os herdeiros, a operação atingiu cerca de 78% de todo o patrimônio do espólio e ocorreu sem ciência efetiva da família, sob a justificativa de pagamento de honorários advocatícios e despesas processuais.

O caso envolve ainda uma viúva de 79 anos, que reside no local há décadas e enfrenta risco de despejo. Foi ela, segundo relatos da família, quem tomou a iniciativa de reagir à ocupação indevida e determinou a retirada imediata dos invasores da propriedade, restabelecendo a posse da área após resistência inicial dos ocupantes.

Demarcação e reação da família

De acordo com os herdeiros, servidores do DNIT estiveram dentro da fazenda realizando demarcações de uma faixa de 30 metros a partir da pista da BR-316. Dois homens permaneceram no local, atuando na vigilância da área, mesmo após solicitação para que se retirassem. A situação foi contornada após intervenção direta da matriarca, que exigiu a saída de todos os ocupantes da terra.

A advogada da família informou ter procurado Bruno Praxedes, secretário do ministro dos Transportes Renan Filho, que teria afirmado não existir qualquer obra federal em andamento ou prevista na Fazenda Vale do Catolé. A defesa também manteve contato com o diretor do DNIT em Maceió, Nicolas Souto, que negou a realização de obras ou mesmo a autorização para instalação de placas na área.

Advertência formal ao DNIT


Após o episódio, a defesa encaminhou comunicação formal ao DNIT informando que, a partir de 27 de janeiro de 2026, fica proibida qualquer entrada ou intervenção do órgão na propriedade, sob pena de responsabilização civil e criminal por eventual invasão de bem particular.

Questionamentos ao Judiciário

A venda do imóvel segue sendo contestada judicialmente. Os advogados da família preparam representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na qual questionam a condução do inventário e a atuação do inventariante dativo, servidor do próprio Tribunal de Justiça de Alagoas, circunstância apontada como possível conflito de interesses.


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